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| FOTÓGRAFOS |
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Carlinhos Alcântara
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Como me tornei fotógrafo
Descobri a fotografia quando eu tinha uns 16 anos, por volta de 1971 em Nilópolis no Rio de janeiro, onde eu morava. Uma máquina de plástico de nome Flika foi colocada em minhas mãos para que eu pudesse fazer minhas descobertas. Eu fiquei todo contente pensando que era uma excelente câmara. O que eu queria mesmo era fazer fotografia, aprender a "bater foto". Aos poucos eu fui fazendo fotos de meus irmãos que eram menores e fazia foto até de cachorro na rua e avião que passava. Eu ficava sempre com a máquina na mão, nada escapava aos meus olhos.
E assim fui tocando, gastando muitos rolos de filmes 120, mas nunca freqüentei sequer um curso de fotografia. Cada vez mais fui aprendendo sobre enquadramento, mas a tal Flika não me oferecia nenhum recurso. Um dia um amigo me trouxe uma Olympus Pen 35mm, que dobrava o número de chapas de 36 para 72 fotos e assim eu podia fazer mais fotos do que quando usava os rolos de filmes 120 da Flika.
Essa brincadeira foi interrompida no dia 15 de abril de 1972, quando um acidente mudou completamente a minha vida. Fiz uma viagem para o interior do Ceará para conhecer uns parentes quando um mergulho mal dado num rio me fez sofrer um acidente medular que tirou todos os movimentos do corpo. Tornei-me tetraplégico. O médico que me atendeu inicialmente no Ceará disse que eu teria que me conformar, fazer uma fisioterapia e ter muita paciência para enfrentar uma nova experiência de vida que começava acontecer. Assim mesmo, após o desânimo inicial, comecei com as massagens e alguns exercícios sempre pensando muito em minhas fotos e meus amigos. Meu maior conforto de vida foi dado por minha mãe. Suas orações e a dos amigos parecem que foram escutadas por Deus.
Fui transferido para Brasília para o Hospital Sarah, o maior centro de reabilitação do país, e a minha vida mudou. Comecei meu tratamento fisioterápico e sabia que tinha muito que fazer, pois queria muito recuperar meus movimentos perdidos. Passei dois anos neste centro e com muito esforço eu consegui recuperar os movimentos dos meus braços. Durante esse período no SARAR, algo que eu tinha deixado para trás, lá no Rio de janeiro, me chamou atenção. Todos os dias pela manhã minha enfermaria era invadida por médicos com suas possantes CANON, MINOLTA E PENTAX. Eu nunca tinha visto em minha vida tanta sofisticação em câmaras fotográficas. Eram todos os cirurgiões que faziam fotos antes e depois do ato cirúrgico. Eu estava sendo estimulado a reaprender a fotografar e descobri que tinha um laboratório fotográfico no SARAH. Fiz amizade com o fotógrafo do hospital chamado Carlos e mostrei o um interesse pela fotografia. Com total apoio do Diretor Presidente do SARAH, Dr. Campos da Paz, passei a freqüentar o laboratório depois da minha fisioterapia lembrando bem que nesta época eu vivia deitado numa maca que era meu transporte oficial - ainda não podia sentar. Observando deitado o trabalho do laboratório, eu comecei a aprender como se revelava filmes e como fazia as ampliações em branco e preto. Confesso que eu nunca tinha entrado em um quarto escuro.
Quando eu comecei a sentar na cadeira de rodas, passei então a fotografar com uma maquininha Kodak Argentina fazendo fotos dos colegas de enfermaria e também dos jardins do hospital. Até que um dia veio o fotógrafo do jornal Zero Hora, chamado Roni Paganella, que era paraplégico e mesmo assim ainda fotografava e se internou no SARAH.
Aí pensei: se ele pode fazer fotos sentado porque eu também não posso? Ficamos bons amigos. Ele tinha uma Pentax, mas naquela época eu não podia ainda segurar uma máquina tão pesada para mim, mas ele me ajudou muito e me encorajou. Às vezes ele queria deixar a sua máquina comigo mas não dava.
Fui adquirindo muito conhecimento até que tive alta e fui para minha casa. Lá eu montei meu primeiro laboratório. Também consegui comprar minha máquina, uma Yashica TI.35. Passei a fotografar as pessoas mais próximas assim eu fiz meu retorno à fotografia. Comprei um tanque fácil de manusear e passei a fazer minhas revelações. Assim que chegava logo corria para revelar os meus filmes preto e branco. Daí não parei mais de fotografar, e até hoje estou fazendo o que mais gosto. Só uso equipamento auto focus, pois é mais fácil de manusear e mais leve.
Trinta anos depois, a fotografia cada vez mais corre no meu sangue, 24 horas por dia. Consegui vencer minhas dificuldades, posso fotografar e me sentir gratificado em poder mostrar meus trabalhos.
Biografia/Curriculo
Luiz Carlos Souza Alcântara. Nasc: 12/1957 Falec: 08/2004
Natural do estado do Rio de Janeiro, radicado em Fortaleza desde 1976. Autodidata. Começou a fotografar aos 17 anos fazendo fotos da família com uma câmera Flika. Em abril de 1972 sofreu um grave acidente que o deixou tetraplégico.
A partir de então passou a registrar imagens de pessoas comuns em seu entorno. Foi integrante do grupo Dependentes da Luz.
Exposições 1978 Massa Feira - Theatro José de Alencar – Fortaleza (CE) 1984 Exposição individual Bar Le Snack – Fortaleza (CE) 1985 Exposição de fotos no teatro da Emcetur 1985 Portfólio publicado na revista Íris Foto São Paulo (SP) 1986 Coletiva Emcetur. 1987 Exposição “Fotografando e Andando” - Galeria Gentil Barreira - Fortaleza (CE) 1987 Exposição na Galeria de Arte do Hospital Sarah Kubitschek – Brasília (DF) 1992 Exposição individual “Revivendo São Luís” - São Luís (MA) 1993 Lançamento de postais e exposição - Grupo Dependentes da luz – Fortaleza (CE) 1993 Torém Folhas Mortas – Caixa Econômica Federal - Brasília (DF) 1999 Fotos para agenda do PT Nacional 2000 Exposição individual “Retratos” - Restaurante Piela - São Paulo (SP) 2000 Publicação de perfil fotográfico no jornal Paparazzi - Rio de Janeiro (RJ) 2000 Exposição virtual na Photo Agência – Brasília (DF) 2001 I Bienal de Fotografia - Juazeiro do Norte (CE)
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